terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hipotireoidismo: Entenda como funciona a doença de Ronaldo

Ronaldo "Fenômeno", o maior artilheiro de Copas do Mundo e atleta do Corinthians, anunciou o fim da sua carreira como jogador de futebol na segunda-feira (14/02/11). Durante entrevista coletiva, Ronaldo disse que seus problemas físicos o fizeram adiantar a aposentadoria. O atleta disse que sofre de hipotireoidismo - uma disfunção na glândula tireoide, que regula importantes órgãos do corpo -, e que esse distúrbio seria responsável pelo excesso de peso que vem sendo criticado por torcedores e comentaristas nos últimos anos.


"Há quatro anos, no Milan, eu descobri que sofro de um distúrbio que se chama hipotireoidismo, que desacelera o metabolismo. Para controlar esse distúrbio eu teria que tomar alguns hormônios proibidos no futebol por conta do antidoping", disse Ronaldo. "Queria fazer esse esclarecimento no último dia da minha carreira", completou. Porém, segundo médicos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o tratamento adequado contra hipotireoidismo não caracteriza doping.

A endocrinologista Roberta Frota Villas Boas, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, diz que a doença nem sempre pode ser culpada pela subida dos ponteiros na balança. É verdade que o hipotireoidismo favorece o ganho de peso e também dificulta a perda dos quilos extras. Mas, segundo a médica, geralmente essa engorda é discreta, de cerca de dois ou três quilos. "É comum as pessoas obesas chegarem ao consultório dizendo que têm problema na tireoide. Mas, na maioria das vezes, o problema é comer muito", afirma. "Não se passa de um estágio de magro para gordo apenas por causa do hipotireoidismo. E, ao tratá-lo, os sintomas devem desaparecer", diz.


O que é hipotireoidismo



Ronaldo não é a única celebridade afetada pela doença. Sabrina Sato, Xuxa, Deborah Secco, Iris Stefanelli, Cláudia Raia e Oprah Winfrey são famosas que também sofrem com o distúrbio, que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) ou pelo "ataque" do corpo a eles. "Na Tireoidite de Hashimoto, por exemplo, o organismo produz anticorpos que agridem a tiroide", explica a endocrinologista Roberta Frota Villas Boas. Na maioria dos casos, quem apresenta a doença terá que tomar medicamento a vida inteira. "Casos transitórios - como os causados por vírus - são a minoria", afirma a médica.

O tratamento é feito com a ingestão diária da substância levotiroxina sódica, na quantidade prescrita pelo médico. "Trata-se de uma reposição hormonal simples e barata", conta Roberta. Dependendo do laboratório, o medicamento é vendido por cerca de R$ 13. "Não existe justificativa para não tratar. Se feito corretamente, inexiste efeito colateral. A vida vai ser normal", conta.

Entre os sintomas do hipotireoidismo estão depressão, inchaço, sonolência, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento de colesterol. "É comum a pessoa adulta descobrir fazendo um check-up atrás da causa de não conseguir emagrecer, dormir muito, se sentir muito cansada. Muitas acham que tudo isso é excesso de trabalho, mas, às vezes, é o hipotireoidismo", afirma Roberta.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o problema é mais comum em mulheres, mas pode atingir qualquer pessoa independente de gênero ou da idade, até mesmo recém-nascidos - neles, a disfunção pode ser diagnosticada por meio do "Teste do Pezinho". Na criança, a disfunção se manifesta em problemas de memória, concentração, déficit de aproveitamento escolar ou baixa estatura.

A doença é mais frequente em mulheres dos 20 até os 50 anos. "Estima-se que 20% das mulheres tenham o problema", lembra a endocrinologista. Atenção, não se deve confundir hipotireoidismo com hipertireoidismo: no"hipo" há diminuição da produção de hormônios; no "hiper", aumento.

Por enquanto, é impossível evitar o hipotireoidismo, mas quem tem casos na família corre mais risco de apresentar o problema. "Além disso, a incidência da doença está aumentando. Talvez isso esteja ligado ao estilo de vida, consumo de agrotóxico, muito iodo no sal ou a outras substâncias que ainda não percebemos", conta a médica. O diagnóstico é feito com um exame de sangue.

por Por Isis Nóbile Diniz

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